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O Rio Sabor
A propósito da aprovação da construção da Barragem do Rio Sabor, e conhecendo a riqueza natural envolvente, era imperioso uma nova visita ao reino maravilhoso de Trás-os-Montes, com o intuíto de registar para a memória futura, todo o esplendor da zona do Baixo-Sabor e confirmar que só uma reles classe política de papalvos ignorantes (mas certamente com interesses), teria coragem para aprovar uma barragem naquele mágico lugar...perguntamo-nos, quantos dos que assinaram a aprovação da barragem, deixaram os seus gabinetes da capital cidade para virem tomar conhecimento in loco, do crime que haviam de cometer. Pouco importa, na verdade fica lá tão longe...
Merece a pena a leitura do artigo do professor José Teixeira, Biólogo e investigador da Unidade de Genética Animal e Conservação, ICETA - Universidade do Porto. [clica aqui para ler]
DIÁRIO DE BORDO > Sexta-feira, 5 de Outubro de 2007
De manhã muito cedo e ainda com muito sono, arrumamos tudo, fechamos os sacos e ordenamos tudo direitinho no guipe. Só faltava fechar a porta e...abriu-se a caixa de ferramentas! Depois dos parafusos do batente da porta apertados e já com tudo fechado, começamos a nossa viagem rumo ao Sabor. De Lisboa a Portalegre e daqui a Trás-os-Montes, num veículo com 18 anos, há que fazer a viagem com tranquilidade, sem pressas.
1ª Paragem: Marialva
"Numa vasta eminência rochosa, sobranceira aos campos da Devesa atravessados pela ribeira de Marialva, situa-se a parte antiga desta povoação.Foi nesta parte antiga que se situou o principal núcleo da comunidade dos Aravos, tribo lusitana, que se terá oposto com todo o seu vigor à invasão romana.
Certamente, também este local foi objecto de passagem de outros povos que a seguir aos romanos ocuparam o nosso território, tais como os povos Bárbaros e Árabes, alterando o modo de vida.
Esta povoação foi arrancada do domínio muçulmano em 1063 quando o rei Femando Magno a conquistou e lhe terá atribuído o nome que hoje em, Marialva ou Marialba. As necessidades defensivas e a importância estratégica atribuída a este território pela reconquista, nos alvores a nacionalidade, quando a fronteira oriental era o Côa e a sul se longava ou contraía com os vaivéns da guerra, deram nascimento certamente ao seu esplendoroso castelo, como terá ocorrido com outros nesta região."
Logo à chegada a nossa guia veio ter connosco: a Julinha acompanhou-nos durante toda a visita! Mãe há pouco tempo, a Julinha (assim a baptizamos) mostrava-se muita meiga e nunca nos deixou, mesmo quando percorremos a muralha do castelo, a 580 metros de altitude, tem-se uma vista muito bonita, que se perde no horizonte...e que silêncio bom!
Dentro das muralhas do castelo são ainda visíveis monumentos significativos, tais como a Igreja, a casa da Câmara, a cadeia e o pelourinho.
Depois desta paragem histórico-cultural seguimos a nossa viagem rumo ao Sabor. Tinhamos planeado abordar o rio pela aldeia de Felgar, Torre de Moncorvo.
Passamos do mapa para as cartas militares e depois de percorrermos alguns caminhos rurais no meio dos cortiços, eis que nos surge, lá ao longe o Sabor, o nosso magnífico rio Sabor, tranquilo e serpenteante na imensa paisagem de oliveiras. Fomos em busca da margem, num belo trajecto entre pinhais e amendoais, ondulante cima a baixo, pelas encostas redondas e algum tempo depois já estávamos de sandoca na mão a molhar os pés nas águas frescas e transparentes…sem mais ninguém num raio de sete quilómetros, nesta paisagem virgem e imaculada que não parece deste país.
Durante a tarde percorremos mais uns trilhos, apanhamos amêndoas, seguindo o nosso espírito de recolectores, que tanto nos aproxima do princípio dos tempos, numa sintonia sem par com o que a natureza nos pode dar...paisagens lindíssimas, lugares únicos de tranquilidade, beleza... que bom que é estar aqui!
Quinta de Crestelos, Santo Antão da Barca, Meirinhos, Quinta de São Pedro, Valverde e Mogadouro, sempre fora de estrada, num surpreendente percurso. Mogadouro é terra de Posta , mas apostamos em ir mais londe, desta vez deixaríamos o famoso restaurante Lareira e decidimos ir jantar a Miranda do Douro, à Posta do Jordão! Não conseguimos resistir a tal tentação! E que bela posta, que bom vinho. Não demos parte fraca... mas depois tivemos que ir dar um passeiozinho para desmoer e conhecer Miranda. Dormimos na casa grande de Ifanes, depois de "calcar" a erva enorme que tudo invade.
> Sábado, 6 de Outubro de 2007
Pouco depois do sol nascer já estavamos nós a apanhar amoras (e que grandes amoras, belíssimas para as nossas compotas de recolectores) e um grande saco pêras. Ainda fizemos um breve passeio pelos campos em redor de Ifanes. Que silêncio bom! Que tranquilidade! Mudamo-nos para cá? Dá que pensar...
Apontamos de novo às margens do Sabor, para conhecer o rio mais a norte, outros trilhos, outras paisagens, e chegamos a Algoso, um dos castelos mais imponentes da nossa pátria lusa, não pelo seu tamanho, mas pelo desafio constante ao enorme desfiladeiro que o bordeja.
" O pequeno castelo fica situado no alto do Monte da Penenciada, a uma altitude aproximada de 600 metros, sobre o Rio Angueira, que por sua vez vai confluir a oeste com o Maçãs. Foi mandado edificar por Mendo Rufino, no reinado de D. Afonso Henriques e oferecido a D. Sancho I, que em recompensa lhe deu o senhorio de Vimioso. Neste castelo de Algoso residia o representante do rei que arrecadava os direitos reais em terras de Miranda e Penas Roias. Em 1710, por ocasião da guerra dos Setenta Anos, pouco depois da queda de Miranda, fizeram os espanhóis diversas surtidas em terras de Vimioso, atacando, entre outras, a antiga vila de Algoso, que contudo conseguiu manter a sua praça. Em termos de área, é um castelo diminuto. Tem uma planta rectangular, e a entrada a norte, onde a muralha está actualmente muito danificada.?Subsiste ainda a torre de menagem, no interior da qual são visíveis sinais de ter possuído três registos, sendo os dois primeiros para habitação e o último de defesa."
É impressionante a paisagem que se avista desde aqui! Com a tarde a passar e o sol a descer no horizonte, tivemos que nos apressar para irmos procurar dormida junto do Sabor.
Depois de Macedo do Peso, paramos o guipe no meio do nada, só nós e a natureza para nos fazer companhia, e os lobos também! Com o céu estrelado como tecto, cozinhamos um belo jantar no topo do guipe! A temperatura baixou imenso durante a noite.
>Domingo, 7 de Outubro de 2007
De manhã bem cedo o nevoeiro indicava onde estava o Sabor! Um nevoeiro baixo marcava entre montes o trajecto do rio e seguindo esta pista, lá fomos nós para junto das suas margens. Água limpinha e tranquila, num lugar mágico onde se cruzam o Sabor e o Rio Maças. Não foi fácil cá chegar. Os locais dizem que a água da futura barragem chegará até aqui... O passeio de kayak fica prometido!
Depois de mais uns trilhos, estava na hora de voltarmos ao asfalto para seguirmos até Lisboa. Em fim-de-semana prolongado previa-se uma entrada difícil na capital.
Pelo caminho ainda paramos em Figueira de Castelo Rodrigo: Figos! Figos! As árvores nas ruas de Figueira são… Figueiras! Que delícia! Que docinhos!
Retomamos a nossa viagem rumo ao sul e pela rádio começamos a ouvir que as auto-estradas estavam com kilómetros de fila... logo, fomos para estradas secundárias do Ribatejo (Deus! Antes as filas de trânsito!) e ainda fizemos uma última paragem junto ao castelo de Almorol! "Não é uma das sete maravilhas de Portugal, mas podia ter sido", diz o painel informativo! Uma verdadeira maravilha foi a nossa viagem ao Sabor! É triste pensar que uma barragem desnecessária vai destruir esta beleza única, por interesses que ninguém sabe quais são, que ninguém nos consegue convencer da sua legitimidade. Ficam as memórias, os registos fotográficos e a vontade de lá voltar e fazer a descida de kayak antes que destruam tudo de maneira irreversível... |